quarta-feira, 8 de julho de 2015

CASA DI CABOCLO: O Rap Di Crespo.

Breve resgate, em relato resumido, de depoimento do rapper Crespo, focado no álbum de estreia do grupo Casa di Caboclo, em que a autoria das 10 faixas é dividida entre ele e Leo Cunha, responsável pela pulsação, inserção de colagens e piano acústico. 

Perguntado sobre o processo de criação, Crespo responde que o texto é o que orienta a música. "As colagens normalmente surgem depois da gravação ou por uma deixa dada na própria letra ou pelo simples fato de termos achado alguma fala interessante em algum filme ou até em outras músicas que complementem a nossa ideia."

Sobre o rap: "A principal qualidade do rap é se permitir, e não ter vergonha de revisitar coisas antigas e também de trazer qualquer som que lhe interesse." Inclusive o "di" do nome do grupo, que está aí para marcar a sonoridade da fala brasileira.


Como ele reage, provocado sobre a questão da brasilidade do rap nas palavras de Júlio Medaglia, para quem o Brasil já tem o seu rap com sotaque nosso, que é o samba-de-breque, e de Antônio Nóbrega, para quem "a embolada tem uma tessitura de rima e de quadratura rítmica superior ao rap, além da melodia, coisa que o rap não tem"?

Crespo diz ver familiaridade entre o rap e o samba-de-breque, principalmente nas colagens e descrições de Moreira da Silva. E que o rap vem se modificando e ganhando cada vez mais melodia no mundo inteiro. Com as melodias de embolada ele convive desde criança, ouvindo Braulio de Castro, autor de várias emboladas gravadas por Caju e Castanha. Ele é muito amigo de seu pai, Barbosa, que compôs o samba escolhido como o melhor samba-enredo paulista do Século XX: Embaixada de sonho e de bamba, para a Mocidade Alegre. Junta ao seu convívio figuras como Noite Ilustrada, Geraldo Filme, Isaías do Bandolim, Nando Cordel e outros.

Essa mistura funciona como uma espécie de marca diferencial do seu trabalho, denunciando a herança do convívio. A faixa O Tempo me parece exemplar, com a feliz articulação da batida típica do rap com um fraseado de caráter melódico/melancólico no piano. 



O Tempo (Crespo) com Casa di Caboclo


O disco, de 2008, produzido pelo Studio Casa1, tem, ainda, as participações de Max B.O. e DJCris, vozes adicionais de Daniela Allcarpe, Ismael Santos e Rodrigo Jubeline (que também toca flauta e violão) e Gema no baixo.

terça-feira, 7 de julho de 2015

O ROCK TUPINIQUIM EM LÍNGUA NATIVA.

O rock brasileiro deve cantar em português? 

Quando essa questão é posta, quase sempre aparece alguém dizendo que não tem nada demais cantar  rock nacional em inglês.

Como assim, cara-pálida?, diria o índio (da América do Norte). Se pode ser cantado em outra língua, por que não em tupi?, diria o índio (da América Latina).

Então, tá.

Arandu Araukaa é uma banda independente que mistura heavy metal com a tradição musical indígena e regionalismos brasileiros. 

A banda lança neste ano seu segundo álbum (Wdê Nnãkrda), com composições cantadas nos idiomas xerente, xavante e tupi, decisão que tem origem na familiaridade de um dos integrantes da banda, o guitarrista Zândhio Aquino, com o povo xerente. 

O vídeo a seguir ilustra a proposta da banda, na canção Hêkawa Waktú (uma das faixas do disco), que significa Núvem Negra em xerente.

Hêkawa Waktú, música do grupo Arandu Araukaa