segunda-feira, 27 de julho de 2015

O RAP NA ALDEIA GLOCAL

Já foi abordada anteriormente (http://brindemusical.blogspot.com.br/2015/07/tupi-or-not-tupi-questao-antropofagica.html) a aplicação da postura cultural antropofágica no universo da música indígena brasileira. 

Afinal, se o conceito de antropofagia, conforme proposto pelos modernistas, tem a ver com a deglutição e transformação de referências de uma cultura por outra, não há porque não aceitar que músicos índios assimilem e reprocessem elementos (alimentos) musicais de outras procedências (brancas, negras, orientais).

Diante de casos concretos e específicos surgem muitas vezes questionamentos sobre a verdadeira natureza do processo. Se ocorre efetivamente o que podemos chamar de antropofagia, ou se estamos diante de situações de pura aculturação, ou seja, dominação de uma cultura sobre outra.

O rap índio do grupo Brô MCs aparenta se situar nesse território ambíguo de pertencimento, e o videoclip do rap Koangagua pode servir de base para uma apreciação crítica do assunto.

Clipe oficial da música "Koangagua", do grupo Brô Mc's, formado por índios bororos do Mato Grosso do Sul.

O rap é entoado no idioma natural dos integrantes da banda. Mas isso em si não garante a primazia da origem índia sobre o gênero dos negros dos Estados Unidos..

Fica o registro para se pensar e aprofundar uma reflexão a respeito. Fica também uma questão à espera de resposta. Trata-se de uma versão pouco referenciada do conceito de glocal (pensar globamente, agir localmente), com o índio aplicando ao seu entorno as concepções da aldeia global? Ou se trata, na verdade, do inverso: a adoção pura e simples do padrão global como modelo a ser seguido na realidade local?

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