sábado, 4 de julho de 2015

TUPI OR NOT TUPI: A Questão Antropofágica do INDIAN INDIE.

A música indígena também procura soluções de produção, divulgação e distribuição independentes para atingir seus públicos bem como potenciais apreciadores da arte musical mais nativa e mais antiga do Brasil, anterior mesmo à formação do país. Indy índio, indian indie.

Um exemplo disso é o trabalho desenvolvido por Wakay (Wakay Cícero Pontes da Cruz), índio da reserva Thá-Fene  (Semente Viva), em Lauro de Freitas, na Bahia, próximo a Salvador.

 
Matydy Ekytoá (Caminho de Todos), composição de Wakay

A composição do vídeo, canção título do álbum Matydy Ekytoá (Caminho de Todos), é cantada no idioma Fulni-ô. A autoria é do próprio Wakay, que atua como músico terapeuta e desenvolve atividades artísticas e educacionais promovendo a cultura de seu povo.

Mas as composições de Wakay não se fecham no universo tradicional. Ele incorpora timbres da tradição europeia, como instrumentos de arco, e padrões rítmicos que revelam influência da música urbana, os modelos de música popular que se instauraram com o advento e expansão das mídias sonoras. Sua música indígena absorve, deglute o pop, introduzindo o balanço da música de mercado na ginga da tradição do índio. 

Não seria isso uma antropofagia às avessas do conceito modernista que tem em Oswald de Andrade um dos principais expoentes?  E não justifica, a propósito, a inclusão de seu poema trocadilhista no título desta postagem? Pois é!

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